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quarta-feira, 5 de junho de 2013

O virtuosismo de Luca Batista

O multiartista Luca Batista
Geralmente associamos o virtuosismo em música a grandes instrumentistas que se destacaram com excepcional domínio técnico a partir do início de um princípio em que os melhores músicos são aqueles que a grande mídia ainda não conhece ou, no meu caso, quando percebo que um excepcional músico está acompanhando uma grande cantora, escondido lá atrás e que completa as canções com uma dose de equilíbrio e sabedoria. Neste caso, conheci o trabalho do cantor, compositor e violonista Luca Batista através de uma grande cantora chamada Olivia Gênesi, que está na estrada há muito tempo e que acaba de lançar um novo disco, Melodias de Sol em Pleno Azul. Evidentemente, grandes músicos se destacam pela execução dos seus instrumentos, mas Luca Batista se destaca pela sua virtuosidade. Além de cantar, ele compõe suas músicas que estão disponíveis nas redes sociais e sites do gênero.
Luca Batista merece todos os nossos aplausos ao contribuir fortemente para ressuscitar o interesse pelo violão. Temos excelentes violonistas, como Swami Jr, Yamandú Costa, Baden Powell ou Mário da Silva e agora Luca Batista se junta a esses grandes nomes para se firmar como um dos maiores do Brasil.
Luca começou a tocar violão aos doze anos de idade. Aos dezesseis anos ganhou uma guitarra. Isso, somado às descobertas musicais que automaticamente foram enveredando sua vida aos inícios juvenis do período, foi o que realmente trouxe a fabulosa dimensão da música pra dentro da sua vida. Participou de bandas que contribuíram para sua formação musical. Em 2010, numa parceria com a cantora, compositora e produtora Olivia, teve o privilégio de  lançar seu primeiro CD, com 14 composições próprias, contribuindo assim com a música popular brasileira.
Começo, meio e fim foi lançado em 2011 pela Trattore e é um disco autoral de Luca e mostra toda a sua versatilidade como cantor, compositor, violonista e guitarrista experiente que é. Assim como já fizera com a cantora Gilda Nunes, que estivera em algumas temporadas percorrendo com shows concorridíssimos, Luca se juntou recentemente à cantora Olívia Gênesi para colocar no mercado um disco a altura de ambos os talentos.  
Começo, meio e fim: ótimo CD

Mais guitarrista do que violonista ultimamente, como Luca mesmo gosta de frisar, o cantor tem a seu favor o virtuosismo e a sapiência de andar em todas as áreas da música. Um bom guitarrista é aquele que se preocupa com a sua sonoridade, que tem um bom conhecimento de harmonia e que sabe exatamente qual é a sua função dentro de uma banda ou em uma música e isso Luca tira de letra com sua experiência artística. A guitarra, em seu trabalho, definitivamente conquistou seu espaço. Hoje a guitarra briga com o violão por um espaço e está presente em quase todos os estilos musicais a que possa vir cantar. Apesar disso, para muitos, a guitarra ainda é considerada um instrumento relativamente novo. Menos para Luca, que já a tinha conhecia desde o início da adolescência. A cada dia novas maneiras de se tocar são inventadas, fazendo da guitarra um instrumento cada vez mais versátil e Luca Batista têm o dom de administrar muito bem sua guitarra ou seu violão.
Muita gente se pergunta se existe diferença entre guitarra e violão. Existe, e muita! Mas para Luca Batista isso não é problema, pois ele os domina com tranqüilidade. Apesar de teoricamente o violão e a guitarra serem iguais (possuem seis cordas, mesma afinação, mesmos acordes), na prática eles têm funções completamente diferentes. O violão é usado como instrumento de base, enquanto a guitarra é um instrumento de detalhes, a cobertura do bolo, no popular. É claro que existem momentos em que a guitarra faz a base, mas no geral, principalmente se você tiver um piano ou um violão (ou os dois!), sua função será de preencher os espaços deixados pelos outros instrumentos.
Luca Batista é muito criativo e dono de um material espetacular, que vai desde as participações nos discos de Olivia Gênesi, até um trabalho mais autoral. A meta musical de Luca é infinita e suas músicas são de excelente qualidade, nos dando a dimensão de sua criatividade. Todas as suas facetas artísticas são números qualificativos para que ele seja considerado um dos maiores e melhores artistas de sua geração. Para tanto, ouçam Luca Batista, revirem o baú de Luca Batista, reparem em Luca Batista e aposto como você também irá se render à sua musicalidade, assim como o Mais Cultura! se rendeu.

Saiba mais sobre a música de Luca Batista acessando http://soundcloud.com/luca-batista

O virtuosismo de Luca Batista
Marcelo Teixeira


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

10º Maior Cantora do Brasil: Miúcha


Miúcha na seleta lista
Com 75 anos de idade (o que não parece), a cantora Miúcha ainda continua na estrada, gravando discos, fazendo shows, sendo reconhecida a cada dia pelo seu trabalho e sendo uma das vertentes únicas dos tempos dos anos dourados de Tom Jobim e Vinicius de Moraes. Com uma voz sedutora e sensual, Miúcha é um ícone da música popular brasileira e que consagrou a bossa nova por um todo com sua maestria e genuinidade. Filha do historiador Sérgio Buarque de Hollanda e de Maria Amélia Buarque de Hollanda, Miúcha nasceu Heloísa Maria Buarque de Hollanda e é irmã do cantor e compositor Chico Buarque e das também cantoras Ana de Hollanda e Cristina Buarque. Foi criada em São Paulo em um ambiente de música. Sua casa era frequentada por Vinicius de Moraes e outros compositores. Ainda menina, formou um conjunto vocal com os seis irmãos. Nos anos 1960, ganhou do governo francês uma bolsa de estudo em História da Arte. Matriculou-se na Sorbonne e na École du Louvre. Nessa época, viajou pela Itália e Grécia com dois amigos e o violão, tocando pelas cidades por onde passava. A experiência resultou em uma apresentação no bar La Candelaria, em Saint Germain, onde atuava Violeta Parra, que convidou João Gilberto para ouvir a cantora brasileira que interpretava bossa nova. Pouco tempo depois, mudou-se para Nova York e casou-se com João Gilberto, com quem teve a filha Bebel Gilberto, que se tornaria também cantora.

Iniciou sua carreira artística em 1975, participando do disco The best of two worlds, de João Gilberto e Stan Getz, lançado em Nova York. Ainda nesse ano, atuou no Newport Jazz Festival, apresentou-se em shows com Stan Getz e gravou a faixa Boto no LP Urubu, de Tom Jobim. Em 1977, gravou, com Tom Jobim, o álbum Miúcha e Antonio Carlos Jobim, com destaque para as faixas Maninha, composta especialmente para ela pelo irmão Chico Buarque, Pela luz dos olhos teus (Vinicius de Moraes) e Vai levando (Chico Buarque e Caetano Veloso). Nesse mesmo ano, participou do show Tom, Vinicius, Toquinho e Miúcha, que ficou quase um ano em cartaz no Canecão (RJ), seguindo depois em turnê pela América do Sul e Europa. O espetáculo foi gravado ao vivo e lançado em disco.

Em 1979, gravou, com Tom Jobim, o LP Miúcha & Tom Jobim, contendo, entre outras, Triste alegria, de sua autoria, Falando de amor (Tom Jobim) e Dinheiro em penca, única parceria de Tom Jobim com o poeta Cacaso. O disco contou com a participação de Ron Carter e com arranjos de Claus Ogerman. Em 1980, lançou o LP Miúcha, que contou com arranjos de João Donato e com a participação de sua filha Bebel Gilberto (voz), na faixa Joujoux et Balangandans (Lamartine Babo), e também de João Gilberto (violão), nas faixas All of me (Gerald Marks e Seymour Simons) e O que é, o que é (Bororó e Evagrio Lopes). Constam, ainda, do repertório duas músicas de sua autoria: Todo amor e Segura a coisa, essa última hino do bloco de mesmo nome do Carnaval de Olinda, mais tarde regravada pela cantora com a Banda do Maestro Duda.

Em 1989, apresentou-se, com o compositor João de Barro (Braguinha) e o conjunto Coisas Nossas, no musical Yes, nós temos Braguinha, criado e dirigido por Ricardo Cravo Albin. O espetáculo foi montado no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, para a entrega do Prêmio Shell de 1989 a Braguinha, e percorreu todo o Brasil. Nesse mesmo ano, gravou mais um LP intitulado Miúcha, que contou com a participação especial de Pablo Milanés e sua banda, em gravação realizada em Cuba. Registrou no disco quatro parcerias de Guinga e Paulo César Pinheiro, Chorando as mágoas, Por gratidão, Non sense e Porto de Araújo, além de Para viver, versão de sua autoria para a canção Para vivir (Pablo Milanés), entre outras músicas. Ainda em 1989, o jornal francês Le Monde incluiu dois de seus discos entre os sete melhores de música brasileira do ano.

Em 1999, lançou o CD Rosa amarela, com arranjos de Maurício Carrilho e J. Moraes, registrando as canções Cabrochinha (Paulo César Pinheiro e Maurício Carrilho), João e Maria (Chico Buarque e Sivuca), De você eu gosto (Tom Jobim e Aloysio de Oliveira), A mesma rosa amarela (Carlos Pena Filho e Capiba), Doce de coco (Hermínio Bello de Carvalho e Jacob do Bandolim), Pressentimento (Élton Medeiros e Hermínio Bello de Carvalho), Santo Amaro (Luiz Claudio Ramos, Franklin da Flauta e Aldir Blanc), Assentamento (Chico Buarque), Por causa desta cabocla (Ary Barroso e Luiz Peixoto), Choro bandido (Chico Buarque e Edu Lobo), Valsa de uma cidade (Ismael Netto e Antônio Maria), Só o tempo (Paulinho da Viola) e Querelas do Brasil (Aldir Blanc e Maurício Tapajós). O disco foi lançado inicialmente no Japão, após shows realizados pela cantora nesse país, e, em seguida, no Brasil, pela BMG Brasil. Realizou várias apresentações em Cuba e no Japão.

Em 2002, lançou o CD Miúcha.compositores, com produção musical de José Milton e arranjos de João Donato, Francis Hime, Cristóvão Bastos, Leandro Braga, Eduardo Souto Neto e Hélvius Vilela. Constam do repertório do disco as cações Pode ir (Carlos Lyra e Vinicius de Moraes), o samba-canção inédito Quando a lembrança não vem (música de João Donato e letra de Tom Jobim), Canção inédita (Edu Lobo e Chico Buarque), que inclui uma citação a Tchaikovsky feita pelas cordas de Cristóvão Bastos, Fox e trote (Guinga e Nei Lopes), Tomara (Novelli, Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro), Cor de cinza (Noel Rosa), E daí (Miguel Gustavo), Solidão (Tom Jobim e Alcides Gonçalves), Lembre-se (Moacir Santos e Vinicius de Moraes), Refém da solidão (Baden Powell e Paulo César Pinheiro), Vento (Cristóvão Bastos e Abel Silva), A dor a mais (última parceria de Fancis Hime com Vinicius de Moraes), faixa que inclui uma citação a Medo de amar (Vinicius de Moraes), e Você, você (primeira parceria de Guinga e Chico Buarque), faixa que contou com a participação de Guinga, ao violão, além de Tempo de amar (parceria inédita da cantora com João Donato). Ainda em 2002, trabalhou na produção de um documentário de Nelson Pereira dos Santos sobre seu pai, o historiador Sérgio Buarque de Hollanda.

Em 2003, sua gravação com Tom Jobim da música Pela luz dos olhos teus, lançada em 1977 no disco Miúcha e Antônio Carlos Jobim, foi tema de abertura da novela Mulheres apaixonadas (Rede Globo), tornando-se um sucesso ainda maior. Nesse mesmo ano, lançou o CD Miúcha canta Vinicius & Vinicius - Música e letra, contendo exclusivamente obras nas quais Vinicius de Moraes é autor da música e da letra: Tomara, Ai quem me dera, Saudades do Brasil em Portugal, Medo de amar, Serenata do adeus, Valsa de Eurídice, Teleco Teco, Tempo será, Pela luz dos olhos teus, Encontro à tarde, Canção de nós dois e Cem por cento, além das inéditas Georgiana e Quem for mulher que me siga. Eduardo Souto Neto, Cristóvão Bastos, Helvius Vilela e Leandro Braga assinaram os arranjos do disco, que contou com a participação de Chico Buarque, Bebel Gilberto, Zeca Pagodinho, Daniel Jobim, Toquinho e Yamandú Costa, entre outros artistas.

Lançou em 2007 o CD Outros sonhos, dedicado a Tom Jobim, Chico Buarque e Vinicius de Moraes. No repertório, Uma palavra e a canção-título, ambas de Chico Buarque, Você vai ver e Chansong e Fotografia, ambas de Tom Jobim, Eu te amo/Dis-moi comment e Anos dourados (Tom Jobim e Chico Buarque), Quando tu passas por mim (Vinicius de Moraes e Antonio Maria), Amei tanto/Pra que chorar (Baden Powell e Vinicius de Moraes), Desalento (Chico Buarque e Vinicius de Moraes), Gente humilde (Garoto, Chico Buarque e Vinicius de Moraes), Olha Maria (Tom Jobim, Chico Buarque e Vinicius de Moraes) e Todo o sentimento (Cristóvão Bastos e Chico Buarque). Também nesse ano, foi co-roteirista de um documentário sobre Antonio Carlos Jobim, dirigido por Nelson Pereira dos Santos.

Chegando ao décimo lugar, o Mais Cultura! destaca uma cantora que merece o respeito mútuo por todos pela sua qualidade musical e por seus amigos que fizeram o Brasil ser um pouco mais culto. Com vocês, Miúcha.

 

10º Lugar: Miúcha

As 30 Maiores Cantoras do Brasil de Todos os Tempos

Marcelo Teixeira

terça-feira, 8 de maio de 2012

Miúcha canta Vinicius & Vinicius de Moraes




O disco em tributo à Vinicius
Miúcha é a simpatia em pessoa e eu a conheci em 2004 numa rua dos Jardins; quem a conhece sabe disso. E quando a conheci, ela estava lançando um disco dedicado ao poeta Vinícius de Moraes, com o belo disco Miúcha Canta Vinícius & Vinícius (2003 / Biscoito Fino / 34,99). O repertório traz 14 faixas. Misturadas a sucessos como Valsa de Eurídice, Serenata do Adeus e Pela Luz dos Olhos Teus estão duas inéditas: Georgiana, que estava guardada com a própria Gerogiana, filha de Vinicius (ele compôs a música em inglês quando ela nasceu), e Quem for Mulher Que Me Siga, que estava com Cyva, do Quarteto em Cy, grupo lançado pelo Poetinha. Entre os ritmos, bossas, serenatas, valsas e sambas, entre outros.

Todas as faixas foram compostas por Vinicius de Moraes sem um companheiro ao lado, dando a dimensão da pesquisa realizada por Miúcha. Uma característica marcante do disco, além da beleza da interpretação de Miúcha e dos arranjos – divididos entre Leandro Braga, Eduardo Souto Neto, Cristóvão Bastos e Helvius Vilela – é o ecletismo dos convidados. Um músico refinado como Leandro Braga (que, além de fazer os arranjos, toca piano em diversas faixas) convive harmoniosamente com o pop de Milton Guedes (gaita em Georgiana). Com o mesmo espírito democrático, Miúcha acolhe o irmão, Chico Buarque, com quem divide os vocais em Medo de Amar, e Zeca Pagodinho, com quem canta Teleco-Teco. Os outros convidados foram a filha, Bebel Gilberto (Tomara), Yamandú Costa (Valsa de Eurídice), Daniel Jobim (Pela Luz dos Olhos Teus) e Toquinho (Canção de Nós Dois).

Emoção pura. Uma emoção que Miúcha transmite em todas as 14 faixas do CD, como se estivesse cantando para Vinícius, na frente dele. Belíssima homenagem ao seu grande amigo e padrinho musical.



Faixas



·       1 – Tomara

ü  Part. Especial de Bebel Gilberto

·       2 – Ai, Quem Me Dera

·       3 – Saudades do Brasil em Portugal

·       4 – Medo de Amar

ü  Part. Especial de Chico Buarque

·       5 – Serenata do Adeus

·       6 – Georgiana

·       7 – Teleco-Teco

ü  Part. Especial de Zeca Pagodinho

·       8 – Valsa de Eurídice

ü  Part. Especial de Yamandú Costa

·       9 – Tempo Será

·       10 – Pela Luz dos Olhos Teus

ü  Part. Especial de Daniel Jobim

·       11 – Encontro À Tarde

·       12 – Canção de Nós Dois

ü  Part. Especial de Toquinho

·       13 – Cem por Cento

·       14 – Quem for Mulher Que Me Siga



Produzido por José Milton

Nota 8

Miúcha Canta Vinicius & Vinicius / Miúcha



Marcelo Teixeira